A EDUCAÇÃO QUE NÓS SURDOS QUEREMOS
SUMÁRIO
A EDUCAÇÃO QUE NÓS SURDOS QUEREMOS
1. Políticas e práticas educacionais para surdos
A escola de Surdos ...................................................................................... 06
As classes especiais para surdos................................................................... 07
As reações entre o professor surdo e o professor ouvinte............................... 09
2. Comunidade , cultura e identidade
A identidade surda ....................................................................................... 10
As Línguas de Sinais .................................................................................... 10
O currículo da Escola de Surdos................................................................... 12
A relação entre a escola de surdos e a comunidade surda.............................. 13
As relações com a família ............................................................................ 14
As Artes Surdas.......................................................................................... 15
As culturas Surdas...................................................................................... 17
3. Formação do profissional surdo
Geral..............................................................................................................17
Os educadores surdos ......................................................................................18
O instrutor de língua de Sinais ...........................................................................19
O monitor surdo ...............................................................................................20
O pesquisador surdo .........................................................................................20
Os surdos universitários ................................................................................... 21
1. POLÍTICAS E PRÁTICAS EDUCACIONAIS PARA SURDOS
1. Propor o reconhecimento da língua de sinais como língua da educação do Surdo em todas as escolas e classes especiais de surdos .
2. Assegurar a toda criança surda o direito de aprender línguas de sinais e também português e outras línguas .
3. Assegurar às crianças , adolescentes e adultos surdos , educação em todos os níveis , como pressuposto a uma capacitação profissional .
4. Levar ao conhecimento das escolas os direitos dos surdos . Promover a conscientização sobre questões referentes aos surdos .
5. Recomendar que programas televisivos não veiculem posturas que gerem atitudes discriminatórias contra o uso da língua de sinais e direitos dos surdos defendendo posturas ouvintistas.
6. Levar em conta o conhecimento da língua de sinais para a escolha dos professores de surdos . Entende-se como prova de conhecimento em língua de sinais : certificado específico de curso reconhecido pelas Associações e Federações de Surdos , com aprovação posterior em banca constituída pela comunidade surda .
7. Propor iniciativas visando impedir preconceitos contra surdos .
8. Criar cursos noturnos para jovens e adultos surdos no ensino fundamental , médio , superior , supletivos , cursos profissionalizantes, em que os professores usem língua de sinais ou em que haja intérpretes da mesma .
9. Regularizar ou implementar o ensino para os surdos onde quer que eles estejam presentes .
10. Usar da tecnologia na comunicação com surdos em escolas e locais públicos uma vez que se tem constatado que a tecnologia ajuda na aquisição do português escrito .
11. Buscar recursos para a manutenção de uma Central de Intérpretes para atender aos surdos de Classe Especial , de Integração e Faculdades .
12. Formular políticas públicas para levantamento e atendimento educacional de crianças de rua surdas.
13. Propor uso de legenda na mídia televisiva, particularmente nos momentos de noticiário regular extraordinário , o que favorece a compreensão pelos surdos .
14. Realizar estudos a fim de levantar a real situação educacional dos surdos : escolaridade , número de surdos não atendidos, evadidos, analfabetos , etc.
15. Em educação , assegurar ao surdo o direito de receber os mesmos conteúdos que os ouvintes , mas através de comunicação visual . Formas conhecidas, em comunicação visual importantes para o ensino do surdo são : línguas de sinais , língua portuguesa, e outras línguas no que tange à escrita, leitura e gramática
16. Respeitar a decisão do surdo em usar ou não aparelho de audição . Não impor o uso do mesmo , nenhum surdo pode ser obrigado a usar aparelho auditivo , já que esta decisão deve ser consciente .
17. Nos concursos vestibulares os surdos devem contar com intérpretes na ocasião das provas e a prova de português deve ter critérios especiais de avaliação.
18. Em concursos públicos onde o surdo concorre com outros deficientes sua prova de português também precisa ser analisada com critérios específicos e inclusive com presença de intérpretes .
19. Incorporar aos currículos dos cursos superiores disciplinas que abordem: língua de sinais e outras informações sobre culturas surdas, particularmente nos cursos de formação de médicos , fonoaoudiólogos e outros que irão trabalhar com surdos .
20. Promover a recuperação daqueles indivíduos surdos que por muitos anos foram mantidos no "cativeiro " dos ouvintes , possibilitando sua integração à sociedade .
21. Repensar o destino do patrimônio dos surdos , assim como o patrimônio das escolas de surdos quando deixam de existir .
22. Considerar que a integração /inclusão é prejudicial à cultura , à língua e à identidade surda.
23. Propor o fim da política de inclusão /integração , pois ela trata o surdo como deficiente e, por outro lado , leva ao fechamento de escolas de surdos e/ou ao abandono do processo educacional pelo aluno surdo .
24. Considerar que a integração da pessoa surda não passa pela inclusão do surdo em ensino regular , devendo o processo ser repensado.
A ESCOLA DE SURDOS
25. Elaborar uma política de educação de surdos com escolas específicas para surdos .
26. Considerar que a escola de surdos é necessária e deve oferecer educação voltada para princípios culturais e humanísticos, promovendo o desenvolvimento de indivíduos cidadãos e sendo um centro de encontro com o semelhante para produção inicial da identidade surda .
27. Enfatizar a urgência da criação de creches e escolas de ensino fundamental e ensino médio para a população de surdos da capital e interior . Devem ser criadas mais escolas de surdos nos municípios e na capital , se possível centralizando estas escolas nos municípios pólos.
28. Articular as várias escolas de surdos , criando espaço de discussão a fim de qualificar a educação de surdos .
29. O ensino dos surdos que precisam de apoio visual para se comunicar não devem ser incluídos nas listas de inclusão na educação infantil , ensino fundamental , e ensino médio . Eles precisam do suporte que somente a escola de surdos pode dar .
30. Implementar ensino para surdos adultos nas escolas de surdos . Ampliar as escolas de surdos com oferta de escola noturna para surdos . Criar e ampliar o ensino à surdos adultos , visto que há uma população surda analfabeta , com baixo nível escolar ou que abandonou a escola por não conseguir acompanhar conteúdos ou , ainda , por necessitar de uma educação de melhor qualidade .
31. Solicitar informação visual e/ou legendada nas escolas de surdos , como também a instalação de sistema luminoso na campainha .
32. Propor o fim da divisão por etapas nas séries iniciais para surdos : 1ª série 1ª etapa , 1ª série 2ª etapa , etc.
33. Revisar o papel das clínicas junto às escolas de surdos no sentido de que a educação do surdo não seja clínica .
34. Considerar que as escolas de surdos devem ter intérpretes em todos os eventos e para os momentos de diálogo com a família de pais surdos e entre familiares ouvintes e filhos surdos .
AS CLASSES ESPECIAIS PARA SURDOS
Se não houver escolas de surdos no local e for necessário programa de surdos à distância com classes especiais para surdos ou em municípios pólos, a comunidade surda recomenda que :
35. Nas classes especiais , que os surdos não sejam tratados como deficientes , mas como pessoas com cultura , língua e comunidade diferente .
36. Seja incentivado, mostrado e estimulado o uso das línguas de sinais pelo surdo , indo ao encontro de seu direito de ser e de usar a comunicação visual para estruturar uma língua de sinais coerente .
37. A aquisição da identidade surda seja considerada de máxima importância , tendo em vista que a presença de professor surdo e o contato com a comunidade surda possibilitam ao surdo adquirir sua identidade .
38. Sejam introduzidas palestras sobre cultura surda nas escolas com classe especial para surdos .
39. Garanta-se atendimento adequado nas escolas onde há classe especial de surdos no sentido de acabar com sentimentos de menos-valia e que os surdos recebam ensino adequado.
40. Implantem-se sistemas de alarme luminoso , cabinas de telefone tdd ou fax em escolas com classe especial de surdos .
41. Promova-se a criação de um banco de dados sobre a situação dos direitos dos surdos , bem como sobre sua cultura e história , visando a promoção da identidade surda na escola com classe especial .
42. Apoie-se a definição de ações de valorização da comunidade e cultura surda na escola com classe especial .
43. Trabalhe-se com os surdos e suas famílias no sentido de que a família adquira a língua de sinais .
44. Seja implantado um Programa de Pais garantindo o acesso a informação e assessoramento adequados.
AS RELAÇÕES ENTRE PROFESSOR OUVINTE E O PROFESSOR SURDO
45. Propor que administradores , professores de surdos e funcionários aprendam a língua de sinais .
46. Promover a capacitação dos professores de surdos no sentido de que os mesmos tenham linguagem acessível em línguas de sinais para atender aos educandos surdos .
47. Garantir a formação e atualização dos professores ouvintes de surdos de modo a assegurar qualidade educacional . Formar (cursos superiores e de extensão ) os professores de surdos , com capacitação dos mesmos no conhecimento da cultura , comunidade e língua dos surdos .
48. Garantir que as relações entre professores surdos e professores ouvintes sejam igualitárias
49. Assegurar que nas reuniões de escolas de surdos , os professores surdos tenham direito a intérpretes e a entender o que está sendo falado , tendo suas opiniões respeitadas e debatidas como são as dos professores ouvintes .
50. Assegurar que o professor surdo tenha direito e prioridade de trabalho em escola de surdos .
51. Considerar os professores surdos como educadores .
52. Garantir a equiparação salarial entre professores surdos e ouvintes , respeitando o plano de carreira em vigor .
2.COMUNIDADE , CULTURA E IDENTIDADE
A IDENTIDADE SURDA
53. Substituir o termo de “deficiente auditivo ” por surdo considerando que o deficiente auditivo e o surdo não têm a mesma identidade : o deficiente auditivo usa comunicação auditiva , tendo restos auditivos que podem ser corrigidos com aparelhos ; o surdo usa comunicação visual (línguas de sinais ) e não usa comunicação auditiva .
54. Incentivar o contato do surdo com a comunidade surda , pois a construção das identidades surdas se dá prioritariamente no contato com outros surdos .
55. Reconhecer que a pessoa surda é um sujeito com identidade surda . O objetivo de mudar o surdo para torná-lo igual a um ouvinte é um desrespeito à sua identidade e à sua condição de cidadão .
56. Evitar que o surdo seja obrigado a aceitar a representação da identidade ouvinte o chamado ouvintismo.
AS LÍNGUAS DE SINAIS
57. Oficializar a língua de sinais nos municípios , estados e a nível federal .
58. Propor o reconhecimento e a regulamentação da língua de sinais a nível federal , estadual e municipal para ser usada em escolas , universidades , entidades e órgãos públicos e privados .
59. Considerar que as línguas de sinais são línguas naturais das comunidades surdas, constituindo línguas completas e com estrutura independente das línguas orais .
60. Considerar que as línguas de sinais expressam sentidos ou significações que podem facilmente ser captados e decodificados pela visão .
61. Propor contato obrigatório com Associações ou Federações de Surdos para a formação de pessoas com prática e conhecimento em língua de sinais .
62. Considerar que a língua de sinais tem regras gramaticais próprias.
63. Considerar que a língua de sinais favorece aos surdos o acesso a qualquer tipo de conceito e conhecimento existentes na sociedade .
64. Observar que a língua de sinais é uma das razões de ser da escola de surdos , assim como existem escolas em outras línguas (espanhol , inglês ...).
65. Reconhecer a língua de sinais como língua da educação do surdo , já que é expressão da/s cultura /s surda /s - Língua e cultura não indissociadas.
66. Considerando que a língua de sinais é própria da comunidade surda , garantir que o ensino de línguas de sinais seja exclusiva dos instrutores surdos . É necessário que os instrutores surdos sejam capacitados para o ensino da mesma , com formação específica .
67. Respeitar o uso da escrita pelo surdo com sua estrutura gramatical diferenciada. A cultura surda merece ser registrada e traduzida para outra língua .
68. Observar que a evolução cultural da comunidade surda se dá a partir do registro escrito , da filmagem, de fotos , desenhos ... que são meios que possibilitam o acúmulo do conhecimento .
O CURRÍCULO DA ESCOLA DE SURDOS
69. Criar programas específicos para serem desenvolvidos antes da educação escolar da criança surda visando à fluência em língua de sinais .
70. Utilizar a língua de sinais dentro do currículo como meio de comunicação .
71. Fazer da língua de sinais uma disciplina no currículo , envolvendo o ensino de sua morfologia , sintaxe , e semântica .
72. Elaborar para as escolas de surdos , uma proposta pedagógica , orientada pela comunidade surda e por equipe especializada em educação do surdo .
73. Reestruturar o currículo atendendo às especificidades da comunidade surda , incluindo no planejamento curricular disciplinas que promovam o desenvolvimento do surdo e a construção de sua identidade .
74. Fazer com que a escola de surdos insira no currículo as manifestações da/s cultura /s surda /s: pintura , escultura , poesia , narrativas de história , teatro , piadas , humor , cinema , história em quadrinhos, dança e artes visuais , em sinais . A implantação de laboratórios de cultura surda se faz necessária .
75. Contar com a ajuda de professores e pesquisadores surdos na mudança do currículo , para o qual devem ser consideradas inclusive as especificidades da comunidade surda , incluindo para os surdos os mesmos conteúdos das escolas ouvintes .
76. Usar a comunicação visual para o ensino dos surdos em suas formas : línguas de sinais , escrita em sinais , leitura e escrita do português . Considerar que existe toda uma problemática na aprendizagem do português , que deve ser considerada como segunda língua .
77. Informar os surdos sobre educação profissional , propostas salariais e acesso à cursos profissionalizantes e concursos .
78. Contra-indicar uso de livros e materiais didáticos que ofereçam imagens estereotipadas, responsáveis por manter discriminações em relação aos surdos .
79. Criar livros e histórias onde apareça o sujeito surdo sem presença de estereótipos .
80. Oferecer aos educandos surdos o conhecimento de tecnologia de apoio , ou seja: os aparelhos especiais para uso de surdos , por exemplo , aparelhos TDD, TV com decodificador de legenda e equipamentos luminosos para construções e trânsito .
81. Conhecer a história surda e seu patrimônio , os quais proporcionam o estabelecimento de sua identidade surda .
A RELAÇÃO ENTRE A COMUNIDADE SURDA E A ESCOLA DE SURDOS
82. Fazer com que todos os surdos , inclusive crianças e adolescentes , tenham direito à convivência e proximidade com a comunidade de surdos .
83. Recomendar como necessária a interação entre escola de surdos e comunidade surda .
AS RELAÇÕES COM A FAMÍLIA
84. Fornecer através da escola , Secretarias de Saúde , S.U.S. e Associações , um suporte com informações qualificadas às famílias a fim de auxiliá-las a enfrentar as vivências relativas a surdez .
85. Formar equipes com presença de surdos , instrutores surdos , professores , agentes comunitários e membros da comunidade para trabalhar em conjunto com famílias de surdos .
86. Prestar assistência aos pais surdos com filhos ouvintes propiciando a presença de um intérprete em reuniões na escola em que este estuda , fazendo com que os pais ou a escola arquem com as despesas deste profissional intermediado.
87. Liberar do trabalho nos horários necessários os pais que têm filhos surdos , para realizarem cursos de língua de sinais conforme suas necessidades .
88. Promover esclarecimentos a pais com filhos surdos para que estes possam viver e desfrutar de uma vida normal como surdos .
89. Transmitir aos pais , irmãos e familiares a orientação para que seja utilizada língua de sinais na comunicação com a criança surda .
AS ARTES SURDAS
90. Considerar que em nossas escolas , existem pequenas ou mínimas referências ou quase nada de iniciação a arte surda . Nota-se que muitas escolas ainda primam pelo uso de coral de surdos , que não condiz com a expressão da arte surda . O coral pode se tornar uma arte surda , desde que visualmente expressivo e dirigido por um surdo .
91. Observar que os alunos surdos precisam de contato com a arte surda , tal como é mostrada na história , no dia-a-dia do surdo com sua produção de significados .
92. Levar os surdos ao contato com artistas surdos e com a arte surda através de fotos , vídeos , pinturas , esculturas , teatro .
93. Considerar que os olhos , as mãos , a expressão corporal e facial sinais referenciais para os surdos .
94. Despertar os surdos para a arte , a fim de que possam expressar sua identidade surda através da mesma .
95. Ver a arte surda como forma de significação que produz certas características determinantes para a diferença e as construções históricas e culturais.
96. Colocar a pergunta : por que vivemos num complexo tão desumano em relação à arte surda ?
97. Considerar que há artistas surdos em diferentes contextos como atores , poetas em língua de sinais , pintores , mágicos , escultores , contadores de histórias e outros , tais como os cineastas .
98. Adotar como estratégia relevante para a arte nas escolas a discussão com os alunos sobre como criar a arte surda .
99. Incentivar o teatro , a poesia , a pintura e pesquisas na história , na comunidade surda e outros . Artistas surdos ou debates na comunidade surda sobre a arte seriam bem vindos para incentivar os alunos "desgastados" pela exclusão da arte nas escolas de surdos .
100. Observar que o uso das imagens sobre o surdo na sala de aula precisa conter algo dos surdos . Um bom ponto de pesquisa está na Internet , onde há sites de surdos que trazem imagens autênticas de surdos .
101. Considerar necessário o conhecimento da arte e expressão surda por parte dos professores , que precisam conhecer a arte surda para que o aluno surdo possa desenvolver sua criatividade e não se envergonhe ou esconda a sua arte .
102. Reconhecer que alguns surdos tem dons muito próprios para a arte de expressão corporal e ela deve ser incentivada pela família , escola ou associação de surdos .
103. Assegurar que a arte a ser usada na escola não se resuma a pintar desenhos "pré-feitos por professores ", ou “cantar ” músicas que são destituídas de significado para a cultura surda .
104. Repensar e discutir a arte surda no que ela representa em suas implicações políticas .
105. Encorajar os surdos para a busca de significados que expressem a/s cultura /s surda /s.
AS CULTURAS SURDAS
106. Promover a/s cultura /s surda /s através de história , arte , direitos dos surdos , tecnologia e escrita de sinais , privilegiando os meios visuais em sua produção , veiculação e acesso .
107. Promover a criação de bibliotecas visuais nas escolas e o acesso a esse acervo pela comunidade surda .
108. Encaminhar sol icitação de espaço especial na TV para programas sócio-culturais-artistícos e educacionais de surdos .
109. Estimular entre as crianças surdas a criação de significados e a vivência das cultura /s surda /s.
110. Estimular as crianças a produzirem histórias clássicas em língua de sinais , registrando-as na escrita de sinais , em vídeo , desenhos ou pintura .
3. FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL SURDO
111. Desenvolver ao máximo a educação e a formação das pessoas surdas.
112. Criar cursos profissionalizantes para surdos nas escolas de surdos de 2° Grau .
113. Criar cursos específicos para surdos como instrutores de língua de sinais , sol icitando junto às Associações e Federações de Surdos , que devem ser o centro de apoio das pessoas que as procuram.
OS EDUCADORES SURDOS
114. Buscar a formação de profissionais surdos a nível acadêmico , nas áreas afins , tendo em vista o direito que os surdos tem em serem educados na sua própria Língua .
115. Recomendar ao professor surdo a reflexão sobre a representação de sua identidade surda , uma vez que ele é, fundamentalmente , um modelo de identidade para a criança surda .
116. Garantir que a escola de surdos tenha a presença de profissionais que sejam surdos , já que devem ser ouvidos quando se trata de questões próprias de sua comunidade .
117. Assegurar que no curso de formação para os professores surdos exista currículo específico sobre todas as implicações da surdez ( educacionais , culturais, vocacionais...), bem como sobre língua de sinais ( estrutura , morfologia , sintaxe ...).
118. Considerar que a formação específica e o trabalho do professor surdo , enquanto profissional , são necessários . É importante que o professor surdo esteja engajado nas lutas da comunidade surda ..
119. Incentivar na comunidade surda a escolha pelas carreiras de licenciatura .
OS INSTRUTORES DE LÍNGUA DE SINAIS
120. Encaminhar o Instrutor surdo com conhecimento no campo da educação de surdos para trabalhar em escolas . Os Instrutores surdos sem formação no magistério devem atuar em outras áreas , como por exemplo : família , empresas , etc.
121. Observar que o ensino de língua de sinais requer instrutores surdos com formação .
122. Buscar a regulamentação da profissão de Instrutor de Língua de Sinais , em parceria com Associações e Federações de Surdos , para obter o reconhecimento legal da profissão .
123. Garantir que a profissão do Instrutor de Línguas de Sinais seja exclusiva dos surdos .
124. Assegurar que os surdos com formação e experiência profissional coordenem os instrutores surdos .
125. Exigir que a formação mínima do instrutor surdo seja de nível médio .
126. Implementar o curso de formação de Instrutor na escola de ensino médio de surdos como uma habilitação específica . Ex.: contabilidade , instrutor surdo , secretário , etc.
127. Implementar os agentes multiplicadores para formação de instrutores surdos .
O MONITOR SURDO
128. Considerar que o monitor é um auxiliar /estagiário e que a sua permanência em sala de aula , portanto , não pode ser definitiva .
129. Considerar que o monitor surdo é um recurso humano provisório , um assessor do professor ouvinte , que não pode se servir dele permanentemente .
130. Favorecer a formação do monitor surdo e sua passagem para outras etapas como instrutor e/ou professor .
O PESQUISADOR SURDO
131. Incentivar a pesquisa dos surdos , considerando que faltam pesquisadores urbanos .
132. Observar que o pesquisador surdo precisa manter parceria com o pesquisador ouvinte .
133. Considerar que os surdos pesquisadores necessitam de apoio financeiro .
134. Incentivar a que o pesquisador surdo não seja apenas usuário , precisando desenvolver sua própria pesquisa .
135. Assegurar que seja respeitada a autoria do pesquisador surdo .
OS SURDOS UNIVERSITÁRIOS
136. Assegurar o direito da presença do Intérprete de Língua de Sinais no decorrer do concurso de vestibular .
137. Garantir a existência de intérpretes contratados pela universidade , assegurando ao surdo condições semelhantes de seus colegas ouvintes .
138. Lutar para que a comunidade científica das universidades reconheça a Língua , a cultura e a comunidade surda .
139. Implementar o ensino médio para surdos , com vistas à capacitação profissional e para a disputa nas provas de vestibular , garantindo o acesso do surdo aos cursos profissionalizantes e/ou às universidades ;
140. Caso seja aceito pela comissão organizadora, discutir a estrutura das provas do vestibular , levando em conta as especificidades da comunidade surda .
141. Propor que intérpretes reconhecidos pelas Associações e Federações de Surdos , possam atuar nas universidades , sempre que houver sol icitação e interesse de ambas as partes .
142. Considerar que a formação universitária dos intérpretes é necessária para garantir a formação do profissional surdo .
143. Propor que as universidades abram cursos para formação de intérprete de LIBRAS , em parceria com Associações e Federações de Surdos .
144. Buscar fonte de recursos , governamentais e não governamentais , para a contratação de intérprete de língua de sinais .
145.Nas universidades que acolhem surdos , lutar para que seja organizado um centro de apoio onde possam ser divulgadas informações referentes à surdez , para a comunidade universitária .
146. Dentro das universidades e cursos de graduação , assegurar a criação de uma disciplina que informe aspectos gerais que fazem parte da comunidade surda .
147. Garantir que somente intérprete com formação de 3° Grau possa atuar na tradução para língua de sinais nas universidades .
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